Assassinatos, prisões e a ocupação

Assassinatos, prisões e a ocupação

Nesta sexta-feira, 08 de abril, o Movimento Ocupação Cultural Mercado Sul Vive! retomou as atividades do Caracol, um espaço aberto de discussão, reflexão e troca de saberes a respeito do momento em que vivemos, analisando o histórico das estruturas sociais, políticas e econômicas.

Infelizmente, 2 crimes exigem nosso posicionamento urgente:

Expressamos nossa indignação frente aos assassinatos dos trabalhadores Vilmar Bordim e Leomar Bhorbak, numa ação da polícia e seguranças da empresa Araupel, em Quedas do Iguaçu, no Paraná, da qual ainda saíram feridos mais 6 companheiros, e também perante à prisão arbitrária e ilegal do Cacique Babau Tupinambá e seu irmão Teity Tupinambá, em Olivença, no sul da Bahia.

Ambos fatos aconteceram dia 7 de abril, e se somam à escalada da violências e intolerâncias contra os movimentos sociais.

Expressamos nossa solidariedade às famílias e às companheiras e companheiros que tiveram suas vidas tocadas por essas injustiças e exigimos respeito às leis, à Constituição Federal e à dignidade humana.

 

Segundo o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, os assassinatos resultaram de um ataque realizado pela Polícia Militar e junto com seguranças contratados pela empresa Araupel, que atiraram contra uma caminhonete onde estavam os trabalhadores, próximo ao Acampamento Dom Tomás Balduíno.

O Movimento reinvindica essa área, que é pública, há cerca de 20 anos. O Acampamento foi estabelecido em 2014, e conta com cerca de 1,5 mil famílias.

 

Já o Cacique Babau e seu irmão, Teity, vistoriavam uma parte da Terra Indígena Tupinambá de Olivença onde empresas mineradoras mantém um areal clandestino, próximo à Aldeia Gravatá. No dia anterior, 6 de abril, as famílias da Gravatá foram desalojadas por um forte esquema policial, em cumprimento a um mandato de reintegração de posse.

Babau é uma das principais lideranças indígenas do Brasil, e assim como todos os povos indígenas, quilombolas, e camponeses que pregam e praticam uma vida no campo com justiça e dignidade,  sofre seguidas ameaças e violências.

O Movimento Mercado Sul Vive! se conecta com os movimentos de luta pela terra, pelo direito à cidade e pela construção da autonomia dos povos dos campos e cidade, referenciadas pelas práticas e saberes ancestrais sintonizados com a natureza.

 

Conheça um pouco da Aldeia da Serra do Padeiro, na Terra Indígena Tupinambá, neste vídeo produzido pela Brigada do Audiovisual dos Povos, da qual o Mercado Sul Vive também faz parte:

 

Para saber mais sobre o assassinato de Vilmar e Leomar:

www.mst.org.br/2016/04/08/mst-repudia-acao-da-pm-e-exige-punicao-imediata-dos-responsaveis-pelo-crime-cometido-contra-os-sem-terra-no-parana.html

 

Para saber mais sobre as prisões de Babau e Teity:

www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=8649&action=read

3 Comentários

  1. Artigo muito bom, bastante informativo e era realmente oque eu precisava! Parabéns e muito obrigada!

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  2. Muito bom mesmo o artigo. Moro em Taguatinga Sul e o Mercado Sul sempre me chamou a atenção, ainda que não tivesse conhecimento da história do lugar e da ocupação. Os grafites e as lojinhas antigas me despertavam curiosidade. Num momento em que Shopping’s se tornam as únicas opções de lazer, antigos pub’s fecham as portas, em que a nossa velha Taguá diversificada se torna estranha e começa a perder sua cara, é fantástico saber da existência desse lugar e poder ser um frequentador.

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    • Agradecemos!!

      E convidamos pra chegar junto e fortalecer o movimento: dia 30/07, teremos uma oficina no Mercado Sul dentro do Festival Latinidades, das 15hs às 18hs:
      http://www.afrolatinas.com.br
      E 06 de agosto é o nosso já tradicional e envolvente Arraiá do Beco!
      Quanto mais gente apaixonada na produção, mais bonito fica!

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